segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Nossa Unidade

           Para  Edegar Bernardes


Dos planos que fizemos juntos
Nem parece que há tempos fomos um só.
Quando éramos dois fizemos a unidade perfeita
O que perdi no tempo, foste tu?
Poderia voltar a ser aquele teu sonho
Mas perdi demais pelo caminho.
Meu apelo é ser quem queria que fosse.
Ontem já parece tão distante
E o hoje pesa sobre mim.
Como nossa unidade se perdeu?
Minha luz, meu herói
Ainda vive nos meus sonhos.
Fica perto e aceita o fardo que o destino me deu,
Fardo este que hoje levo grata.
Meu herói vive no ontem.
Meu herói vive no hoje.
Meu herói vive no amanhã.
Minha luz vive em mim.
Até o fim desta vida mundana
Serei teu espelho.
Até o fim da minha eternidade
Serás o meu tempo.

Mariana Bernardes

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Budapeste


Voamos alto e além
Para Budapeste
Eu vou sozinha
E você fica
Meu avião
Que nem me pertence
Vai ao chão
Cai no mar
Não tenho como respirar
E tu sentes
Também perde o ar
Mas fui sozinha
Foi minha vontade
Não te dei chance ou oportunidade
Deixei-te aqui
Pois sabia que ias lembrar de mim
Quando estivesse lá em Budapeste
Porém me fui
Sem um ultimo adeus
Sem palavras difíceis
Sem você
Eu fui
E não volto mais
Agora sou completamente sua
Não tenho como pertencer
A mais ninguém
Nos encontraremos nos sonhos
Que tive contigo
Que teve comigo
Lá em Budapeste
Estaremos a sonhar
Vamos nos encontrar
No meio destes caminhos

Mariana Bernardes

Bom

Hoje estou sem script
Sem edição.
Encontrei um inimigo,
Grande inimigo,
E eu, invejoso,
Quero desossar este coitado
Que nem sabe de mim.
Ah, mas como ele é bom!
Como me cutuca e nem percebe,
E como me enerva.
Ele é bom,
Bom demais para ser inimigo do melhor.
Muito melhor para ver o bom.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Trilhos


A estrada é longa, mas posso faze-la curta
A estrada é feita de escolhas que nem quero fazer
Escolher alguma coisa é excluir outra
Então quando sei qual excluir? Só escolho.

Minha escolha é a dedo mas na sorte
É jogar os dados e conferir o resultado
E quando ele não é o que eu quero
Escolho o que me agrada mais

Sou trilhos de ferro, e a vida insiste em passar
Por cima de mim sem dó da minha dor
Passa rápido e pesadamente sobre mim
E que peso é este o de estar por baixo!

Vivo à mercê desta vida. Dessas estradas.
Seu peso machuca menos quando o divido
Mas como os dados me mandaram dividir
Eu escolhi ser o trilho sozinha.

Separação


É o teu cheiro na minha pele
Tua mão que desgrenha meu cabelo
Tuas poesias inacabadas
Teus lábios machucados
Meu corpo dolorido
Nossos corpos entrelaçados
Meu último cigarro
Fumado à meia luz do quarto
Minhas músicas repetidas
A vontade de te dominar
A dor de ir embora
E a plenitude de te reencontrar

Mariana Bernardes

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Noite


A noite vem e me tortura
Com teu silencio impiedoso
Fico a remoer amarguras
Daquele tempo tempestuoso.

Meu amante não está ao lado meu
E meu corpo clama pelo teu
O barulho de rua me deixa a imaginar
O que, hoje, estaria fazendo lá.

Aqui estou novamente a lamentar
Esta falta de estar
Na conhecida perdição

Porém hoje tenho um amor inexorável
Tenho um verdadeiro coração.
Hoje a vida já é palpável.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Hemorragia por escrito


Minha escrita é a hemorragia
Inescrupulosa e indolente
É a flor da pele
Que nasce na lama
E desabrocha timidamente
Cresce de repente
E morre com um ponto.
Cada palavra como uma vida
À lágrima derramada,  ferida curada
Ferida causada e riso contido
Fingindo não ser dor.
Isto é quem sou:
Palavras em linhas que,
Com intenção ou não,
Mostram a essência do coração