quinta-feira, 7 de julho de 2011

À carne

De amores sem final,
Como uma criança inocente
Pulo de um ao outro,
Presa à uma trama carnal.
O amor.
Este, ao qual me submeti,
Chegando perto do episódio final,
Ganhando vejo que perdi.

Mariana Bernardes

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Finito

O vento bate forte,
E já não vejo à frente.
O sempre fica longe demais,
Hoje minha eternidade parece finita.
Sois quem está a deixar uma marca,
Em quantos, ou apenas em minha pele,
Pele de cobra que se vai e fica pelo caminho dos outros.
Quando a encontrarem o que acharão, o que farão dela?
Se virar cinza estarei por aí a rodar,
Serei o vento forte que está preso ao ar.

Mariana Bernardes

terça-feira, 5 de julho de 2011

Flor


O que não tem raízes
Anda pelas ruas como folhas
As diretrizes já não me são de bom grado
Nem me são dadas pelos outros
São folhas, plantas, mas não flores
Flores escondem sua beleza dentro de si
E apenas a mostram para morrer
Pois desabrochar, abrir-se só pode ser compensado
Por um descanso eterno

Mariana Bernardes

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Qualquer

Quem sou eu para querer alguém?
Um alguém qualquer
Que venha ao mundo para me querer.
Um qualquer alguém
Que ame mais meus defeitos
E que queira mais de mim.
Que aceite um fardo inseguro
Este eu, mas um alguém qualquer
Não tão indiferente, nem tão menor
Alguém que queira um outro qualquer

domingo, 3 de julho de 2011

Só por hoje


Hoje não lamentarei as lamúrias do meu inferno
Olharei cegamente à frente dos meus sonhos
Seguirei sem leviandade guiado pelas mãos de iguais.
Hoje olhei para dentro e a bola de neve negra não estava lá
Viajei por trás das pálpebras fechadas e limitei meu senso
Construí, por fim, quem sempre fui
Tirei as correntes que feriam meus calcanhares
E decidi que daqui em diante andarei livre no desconhecido
Irei encarar meu caos e escuridão
Sem que precisem virar luz
Expurgarei meus demônios por entre os dentes
Serei meu caos em forma de verso

Mariana Bernardes

sábado, 2 de julho de 2011

Dilema dental

Ó ciso, por que dóis tanto?
Pare de me torturar.
Estás a entortar meus dentes
Que o aparelho tinha conseguido consertar.
Estás cortando minha pele, minha gengiva
E me causando uma profunda dor no orifício bucal.
Assim não me deixas escolha,
Terei que te tirar!

Mariana Bernardes
ps: só para brincar um pouco!

Canto ao vazio

Meu silêncio não diz quem sou
As palavras enganam a quem não tem
Olhos preparados para ver o óbvio
Quando ser é apenas efeito
Viver é caminhar para a escuridão
E as luzes no caminho é o que estou a buscar
Recuperar o que perdido foi não é só voltar atrás
É construir à frente o que se quer encontrar
Apenas é muito vazio
Onde o querer expande a realidade
O claro se mistura ao incomum
E a individualidade torna-se homogênea
Tudo se cruza e a graça do incomum
Começa a esvair-se por entre os dedos
Mesmos dedos que tentam incansavelmente
Segurar a última brisa de uma existência sedutora

Mariana Bernardes