Ó ciso, por que dóis tanto?
Pare de me torturar.
Estás a entortar meus dentes
Que o aparelho tinha conseguido consertar.
Estás cortando minha pele, minha gengiva
E me causando uma profunda dor no orifício bucal.
Assim não me deixas escolha,
Terei que te tirar!
Mariana Bernardes
ps: só para brincar um pouco!
sábado, 2 de julho de 2011
Canto ao vazio
Meu silêncio não diz quem sou
As palavras enganam a quem não tem
Olhos preparados para ver o óbvio
Quando ser é apenas efeito
Viver é caminhar para a escuridão
E as luzes no caminho é o que estou a buscar
Recuperar o que perdido foi não é só voltar atrás
É construir à frente o que se quer encontrar
Apenas é muito vazio
Onde o querer expande a realidade
O claro se mistura ao incomum
E a individualidade torna-se homogênea
Tudo se cruza e a graça do incomum
Começa a esvair-se por entre os dedos
Mesmos dedos que tentam incansavelmente
Segurar a última brisa de uma existência sedutora
Mariana Bernardes
Mariana Bernardes
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Cópia
Tenho muito a falar
Mas nada a dizer
Oculto minha opinião
Pois não me agrada a opressão
Escrevo o que nem sinto
E começo a sentir o que profiro
Afinal me agrada o atrito
Finjo saber o que falo
Pois minha mentira agrada
Todo poeta é um manipulador
Maquiavelicamente escreve
Sentimentos que não sente
Mariana Bernardes
Traço nosso tempo
Há pouco tempo foi nosso tempo
O mundo devora quem o teme
O temor aguarda aqueles que sentem.
Encontrei sozinha o que vi em outro
Traço, meus versos simples nada falam.
Desenhei meu lar e nele
Só vejo teus sons
Com a cabeça no teu peito
Sincronizei nossas vidas
Em uma equação particular
Nosso ritmo, nosso tempo
Desenhei meu lar e nele
Só ouço nossos sonhos.
Há pouco tempo é este nosso tempo
Há muito pouco ele foi embora
E agora estamos juntos
Em nossas mentes separadas
Sou as folhas escritas espalhadas,
Sou o que sei, mas não sei nada.
Mariana Bernardes
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Parte
Fazer parte de
Sem pódio
Sem e cem chances
De deformar seus rostos
Transformá-los em Cubismo
Transformar toda a pobreza
Grande parte da pobreza mental
Mediocridade sem final
Fazê-los virar arte
Distorcida e indecifrável
Fazer parte de
Algo a mais
Sem pódio
Sem e cem chances
De deformar seus rostos
Transformá-los em Cubismo
Transformar toda a pobreza
Grande parte da pobreza mental
Mediocridade sem final
Fazê-los virar arte
Distorcida e indecifrável
Fazer parte de
Algo a mais
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Três
Não me venhas falar de amor
Pois não há como sobrepor um ao outro
Minha lamúria foi demais
Passa ao meu direito, limite
Fazê-lo ir pelo caminho que construí
Pelo o que recebi
Este verme nos comerá por dentro
E sugará o que se considera amar
Abutres comerão nossas carnes, separadas
E mosquitos, por fim, nos drenarão
Até o último momento
De amores sobrepostos, compostos e sofridos
Ao final estaremos separados
Pelas leis que a natureza nos impôs
Por tudo que vivido foi
terça-feira, 21 de junho de 2011
Religião
Infames curvas do destino
Aonde me levaste
Reencontrei-me com quem acreditava já ter matado
Um alguém obscuro de batismo
Procurando luz onde todas as cores se encontram
A ausência de todas traziam-me uma centelha
Acima e mais fundo, um claro
Qualquer que fosse
Algo de caos em meio à tanta ausência
Incomum que mostraram-me a escolher
O atraso me adianta e me encontra mais à frente
Volto ao escuro querendo-o
Pois a luz já cegou-me em toda sua ausência
Mariana Bernardes
Aonde me levaste
Reencontrei-me com quem acreditava já ter matado
Um alguém obscuro de batismo
Procurando luz onde todas as cores se encontram
A ausência de todas traziam-me uma centelha
Acima e mais fundo, um claro
Qualquer que fosse
Algo de caos em meio à tanta ausência
Incomum que mostraram-me a escolher
O atraso me adianta e me encontra mais à frente
Volto ao escuro querendo-o
Pois a luz já cegou-me em toda sua ausência
Mariana Bernardes
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